quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Para economistas, mínimo ‘correto’ é só de R$ 545

Para economistas, mínimo ‘correto’ é só de R$ 545
Especialistas entendem que alta da inflação e cumprimento de acordos com centrais devem manter salário mínimo em 2011 apenas no valor necessário para repor perdas
Eduardo Militão
O governo não deve ceder um centavo às centrais. Deve pagar apenas a reposição da inflação para definir o valor do mínimo, seja ele R$ 540 – como está em vigor – ou R$ 545, como estuda o Executivo. Essa é a opinião de economistas ouvidos pelo Congresso em Foco, que, apesar de terem visões econômicas distintas, concordam que, pelo menos neste momento, é preciso frear os gastos públicos e manter a austeridade fiscal.
Para Fernando de Holanda Filho, da Fundação Getúlio Vargas, e Newton Marques, analista do Banco Central e membro do Conselho Regional de Economia (Corecon) do Distrito Federal, é melhor trocar o aumento real no salário mínimo por um acréscimo no Bolsa Família. Isso traria muito mais distribuição de renda no país, atesta um estudo da FGV. “Em termos de combate à pobreza, seria mais eficiente, mas o governo quer cortar gastos”, afirmou Holanda.
Na opinião dele, o Executivo precisa ser duro para compensar os níveis de gastos elevados, que acontecem normalmente em períodos eleitorais, como no ano passado. “Se esse governo na primeira bola dividida começar cedendo, pode criar uma expectativa ruim contra a contenção dos gastos”, disse Holanda.
Para o economista, os reajustes acima da inflação não deveriam estar em lei, como prevê a política do salário mínimo a ser enviada pelo governo de Dilma Rousseff ainda esta semana. Entretanto, ele e Marques defendem ser impossível prever reajustes até 2023, como diz a lei hoje. Apesar da chiadeira das centrais agora, a política de valorização do salário mínimo permitiria um aumento de 12% a 13% já em 2012.
“A política econômica não dá para esticar e ter um planejamento tão longo”, analisou Marques. O economista do Corecon acredita que a pressão inflacionária e a indexação causada pelo salário mínimo é algo com que se deva preocupar.
Para Holanda, só seria possível conceder um aumento maior do mínimo em 2011 se for mostrado qual outra área terá corte de gastos. “Se o governo der mais [aumento], vai ter que fazer um aperto fiscal”, explicou Marques.
Marques discorda de Holanda de que o foco do Executivo deve ser estritamente o controle das contas públicas. “O governo tem que fazer política pública e, para isso, tem que ter fonte de financiamento”, diz Marques, ex-integrante do governo Lula e defensor da taxação dos que possuem mais recursos: os poupadores, o setor bancário e os donos das grandes fortunas.
49 milhões
Os sindicalistas discordam dos economistas. Para o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, e o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, o que importa é a quantidade de trabalhadores que serão beneficiados com o aumento, potencializando a economia.

Nas contas dos dois, há 49 milhões de brasileiros que teriam benefício direto com o salário mínimo reajustado mais generosamente. “Esses economistas estão a serviço do [Guido] Mantega [ministro da Fazenda]”, desdenhou Paulinho, no cafezinho da Câmara, na terça-feira (8) à noite.

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